quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
O efeito borboleta
Enfim estamos fechando 2009. Para mim, um ano de muito aprendizado e amadurecimento. Realizei alguns sonhos, percebi que a vida é muito além do que vemos, aprendi que a fé não depende da nossa religião, mas do quanto acreditamos em nós mesmos... Aliás, algumas lições ainda estou aprendendo.
Para clarear as idéias e visualizar melhor o ano, decidi fazer um Balanço. Espero não ser muito pessimista, nem otimista demais.
- Em fevereiro fui demitida. Embora o motivo nada tenha a ver com minha competência ou comportamento, a primeira lição do ano foi: não importa o quanto você se dedique, ame ou depende do seu trabalho. Quando a corda aperta, o pescoço da vez pode ser o seu. Ou seja: empresa não é amiga. E emprego não é amizade. Cuide da sua empregabilidade, se dedique ao seu trabalho, à sua carreira, mas nunca deixe sua família em segundo plano porque, quando ficar sem emprego, é nela que você encontra forças para levantar.
- Em março iniciei meu MBA. Um sonho realizado e meu "Muito Obrigada" ao Metrô Rio, que pagou o curso, mesmo após me demitir. Conheci pessoas das mais diversas formações e perfis diferentes. Gente que não precisa trabalhar, gente que trabalha e divide as despesas, gente que já trabalhou muito para estar ali, gente que se desdobrava para conciliar o estudo com o trabalho. Abdiquei de finais de semana em família, me afundei em leituras e estudo, aprendi matemática financeira e a usar a HP... Mas, o maior aprendizado do MBA foi a entender e respeitar as diferenças. A não fazer questão de ser querida por todos e a conquistar as pessoas aos poucos, com atitudes e não com a minha simpatia.
- Em julho iniciei um projeto na Fundação Bio Rio – pólo de Biotecnologia do Rio de Janeiro. É uma fundação, é inovadora, tem pessoas muito apaixonadas pela instituição, mas é uma cultura completamente diferente da que eu estava acostumada. Entender aquela cultura, respeitar as diferenças e me enquadrar naquele ambiente foram um desafio e grande aprendizado.
- Desde então, estou buscando meu lugar ao Sol... O mercado está muito fechado, as oportunidades escassas e meu último cargo, Coordenadora, complicou ainda mais minha recolocação. Some o MBA, que era às quartas, o que limitou minhas possibilidades. Mas concluí-lo era prioridade e, ufa, concluí.
- Nesse período todo, com a falta de emprego, dias em casa, mudança na rotina, depressão, falta de grana... enfim, tudo o que se desencadeia com o desemprego, as lições mais importantes e arrebatadoras que aprendi são as que não se explicam com a razão. Mas vou tentar...
- Reconheci amigos verdadeiros;
- Enxerguei o valor da minha família;
- Encontrei um companheiro, que sempre esteve aqui, mas que eu pouco reconheci;
- Aprendi a ser mãe integralmente;
- Entendi que as coisas não acontecem quando queremos ou merecemos. Elas acontecem no tempo do universo, no tempo em que TÊM que acontecer. Importante é estarmos preparados para esse momento.
- Aprendi a lidar com o dinheiro – e com a falta dele. E que mesmo sem grana é possível ser feliz, basta olhar ao redor e valorizar as coisas simples...
- Ah, as coisas simples! Como têm valor, como são essenciais e como nos enriquecem;
- Aprendi que as respostas não vêm escritas, não vêm quando queremos nem da forma como queremos. Elas estão dentro da gente e encontrá-las depende de nos encontrarmos. E essa é a tarefa mais difícil: olhar pra dentro.
- Parar de reclamar. Está tudo bem, tudo ótimo, mesmo que não enxerguemos isso. E, cá entre nós, não posso reclamar mesmo: nunca nos faltou nada, meus filhos estão saudáveis, felizes e perto de mim; tenho uma família maravilhosa; descobri os amigos mais improváveis; aprendi a ser menos radical e mais sensível com eles, a respeitar diferenças e simplesmente ouvir. Escutar seus desabafos sem opinar. A vida é isso. Não tem conselho que amadureça alguém. É preciso viver para aprender;
- Não sou perfeita. Não tenho que me cobrar perfeição. Muitas vezes, basta baixar a cabeça e pedir desculpas. Tentar sair pela tangente, justificar erros ou fingir que nada aconteceu só nos faz parecer superficiais e indiferentes;
- Por fim, não menos importante: esperar, acreditar e perseverar.
2009 foi uma fase de reclusão, imersão no meu oceano, tropeços e conquistas. Dia a dia, cada coisa em seu lugar... Pouco a pouco as coisas acontecem. Basta estar de olhos bem atentos, coração aberto e cabeça no lugar.
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2 comentários:
Querida!Adorei o post.Como vc, passei por muitas turbulências esse ano mas resolvi aplicar a teoria do Playmobil na minha vida.Nada que aconteça vai tirar esse sorriso do meu rosto!Você pode estar um caco por dentro mas como diz a minha sábia avó:sou que nem bambu minha filha..envergo mas não quebro.E nós somos assim amiga!Bola pra frente que 2010 vai ser muito melhor.Bj no coração
Carol, adorei ler o seu balanço e as suas conclusões. Bacana...vc começa 2010 uma 'nova' Carol. As dificuldades amadurecem e pasme, faz a gente ficar mais interessante, ter um novo olhar para a vida e para as pessoas. Vc fechou um ciclo e iniciou outro!!. Feliz 2010!!!! Divido com vc o trecho do livro Equador, de Miguel Sousa Tavares
"E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre".
2010 vai ser seu ano, acredite!!!! Beijos com votos de sucesso e prosperidade!!!!
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