segunda-feira, 23 de novembro de 2009

O lado bom das coisas ruins


Em fevereiro fiquei desempregada. Depois de 10 anos intensos de trabalho, estudo e muitos finais de semana dedicados, a gente fica perdido e esquece completamente como fazer para viver sem a rotina de trabalho.
Pra piorar: quando temos filhos e nunca tivemos tempo para eles, fica ainda mais trágica a situação porque você tem que encarar a falta de intimidade com a rotina deles.
É um processo de reinvenção. Um mix de depressão, ansiedade, agonia e um tanto de humildade - querendo ou não, você se torna mais humilde.
Acordar sem o despertador, não encarar o transito caótico, não passar o crachá... Não ter uma lista de pendencia infindáveis que sempre se reproduzem parece um pesadelo. "O que eu vou fazer com as horas do meu dia?"
Me fiz essa pergunta inúmeras vezes. Tentei otimizar o dia, aproveitar as horas, curtir os filhos. Mas, no começo, tudo o que eu queria era a minha rotina maluca de volta. Queria muito pegar 2h de engarrafamento, encarar um dia intenso, cheio de cobranças e das atividades cotidianas que antes eu reclamava tanto.
Mas isso não depende da minha vontade somente. E, aos poucos, à base de muita depressão e "porrada" entendi a mensagem disso tudo.
Hoje, vendo o mercado reaquecer e as possibilidades se ampliando, estou ansiosa e, ao mesmo tempo, preocupada. O jogo se inverteu e minha preocupação hoje é justamente na readaptação a essa distância entre mim e meus filhos.
É claro que quer, e preciso, voltar a trabalhar. Produzir, criar, conhecer pessoas, interagir, tudo isso é muito importante para a minha felicidade. Mas vejo que ganharam um peso diferente depois que eu vi o que é, de fato, viver.

3 comentários:

Cinthya disse...

Nossa, eu não sei como vc consegue. Eu juro que não consigo me imaginar sem trabalhar. É uma rotina que eu gosto, sinto falta mesmo.
Mas entendo perfeitamente que depois de ter nossos filhos, a coisa complica muito!
Volta com tudo, Carol! Arrasa!

beijocas!

Unknown disse...

Saí do meu emprego aí no Rio em maio pra vir de mala e cuia pra SP e tenho a mesma sensação. Não sei como vai ser, mas estou pagando pra ver :o)

9600n81 disse...

Eu gostava muito de trabalhar apenas por prazer, não por necessidade. O frenesim do mundo do trabalho não tem comparação com o imenso prazer de sermos donos do nosso tempo (que é tão curto...).